lunes, 29 de agosto de 2016

ANTONIO RODRIGUES.....

......SOLDADO, VIAJANTE E JESUITA PORTUGUES NA AMERICA DO SUL NO SECULO XVI. COPIA DE UMA CARTA DO IRMAO ANTONIO RODRIGUES PARA OS IRMAOS DE COIMBRA.


                                                          De S. Vicente, do último de maio de 1553

Pax Christi. Ainda que te agora, com muitos perigos, andei navegando por este mar do sul, onde há tantas tormentas, que poucos navíos escapàm, contudo confesso, Carissimos Irmaos, até agora ter navegado por outro mar mais perigoso, que e o deste mundo e suas vaidades, onde tantos se perdem, do qual Nosso Senhor me livrou por meio do Padre Manuel da Nobrega, recebendo-me na Santa Companhia de Jesus, trazendo-me já Nosso Senhor movido para entrar nela vendo quanto tempo e com quantos perigos tinha sido soldado no mundo, com tao pouco proveito, e que entrando nela entrava em melhor batalha, que é das almas, e com tao grande premio, que é a remuneraçao eterna.





Mandou-me o Padre que eu vos desse conta da minha vida e das merces que Nosso Senhor me tinha feito, e por eu ter ido daqui do Brasil ao Peru, por terra e tornado, vos escrevesse tambem dos gentios que por esas te rras há, esperando ser ajudados de vós para a sua salvaçao, e o aparelho que tem para receber a nossa santa fe; e para vos dar esta conta vos quero escrever desde o principio da minha vida a estas partes.

E é que eu e outros Portugueses, assim por vaidade como por cobiça de ouro e prata, no ano de 1523 partimos de Sevilha em uma armada que fazia Dom Pedro de Mendoça, na qual éramos 1800 homens; e todos carregados de nossa cobiça, chegamos, com prospero vento, ao Rio de Prata e entramos pelo rio com as naus 60 leguas.
Logo quiseram ir em terra todos para edificar uma cidade: e os primeiros seis que sairam para ver o lugar onde se podia fazer mataram-nos as onças bravas. Nem por isso se deixou de edificar ainda que cada día as onças matavam homens. Prouve a Nosso Senhor castigar a nossa cobiça e pecados, que soldados comumente fazem: permitiu vir tanta fome ao arraial que nao davam a comer a cada um, cada día, senao seis onças de pao. E porque a gente por esta causa, com a franqueza, nao podía trabalhar, era muito castigada dos oficiais da ordem da guerra, porque lhes davam com paus, e assim morriam cada dia 4 ou 5. Ainda que nao deixou Nosso Senhor a estes, que castigavam aos outros, sem castigo, porque vieram os gentios um dia de Corpus Christi e mataram 40 dos mais nobres e esforçados.

Aconteceram nesta fome, com que Nosso Senhor nos castigou port nossos pecados, coisas semelhantes ás que aconteceram aos judeus en Jerusalem, no cerco de Tito a Vespasiano. Porque esforçando-se a dois soldados, lhes comeram as barrigas das pernas, e um homen matou, em sua casa a um seu primo e comeu-lhe a assadura. Acabando de comer o acharam que estava para morrer, permitindo Deus por seu justo juizo que o matasse a comida com que a morte do primo procurou. Aconteceu tambem comerem uns o excremento que outro depois de ter comido deitava, ainda que pela corrupçao dos corpos era aquilo tao peçonhento que quem o comia logo morria. E, desta maneira, uns com fome, outros por os matarem as onças, e outros os gentios, morreram neste tempo, que se fez a cidade, 600 homens.

O Governador vendo ir a gente desta maneira, voltou para a Espanha, o qual morreu no caminho e deixou em seu lugar a Joao de Ayolas, o qual em bergantins subiu pelo rio 350 leguas deixando a cidade sepultura de mortos; e praza a Deus que nao seja o inferno sepultura das almas e nao sejam lá castigadas como foram cá seus corpos. Digo isto, Carissimos Irmaos, porque claramente se ve ter Nosso Senhor permitido tantos males por nossos pecados. Porque ali renegavam e blasfemavan de Deus, ali os falsos testemunhos, ali as injustas justiças e vinganças, ali os oficiais da ordem da guerra diziam:

- ¡Bem é que morram, porque nao haverá ouro para tantos!
Estes morreram ainda mais miseravelmente, porque os seus corpos careceram até de sepultura.

Deixando isto, andando a 350 leguas, achamos uns gentios que chaman "Timbos", os quais sao muitos. Nao comem carne humana, antes se afastam disso. Sao muito piedosos, porque indo nos muito sumidos e os dentes e beiços negros, levando figura mais de homens mortos que vivos, nos levaram nos braços e nos daram de comer e curaram-nos con tanto amor e caridade, que era para louvar a Nosso Senhor ver, em gente apartada da fe, tanta piedade natural, que com tanta mansidao e amor tratavam a gente estrangeira, que nao conheciam. Achamos ali un espanhol que sabia bem a lingua deles, a qual tem muitas palabras latinas.

Há muitas terras povoadas deste genero de gentio, os quais obedecem a seus principais e neles há grande disposiçao para se farezem cristaos. Praza a Nosso Senhor de manda-los visitar, porque a nossa, porque nao era para ganhar as suas almas senao para ver se tinham ouro, nao lhes fez nenhum proveito na fe.

Há, adiante destes gentios, outros que chamam "Corumna", outros "Aquilocos" e "Chenatimbos" e "Queuvas" selvagens e "Guirandas" e "Chandues" e "Garinas". E estes Garinas tem guerra com todos os vizinhos e comem-nos; e se cativan meninos, fazem-nos á sua maneira. Estes nos mataram muita gente.

Deixamos alguma gente entre os Timbos e fomos cerca de 60 homens em bergantins, que fizemos, com a nossa cobiça ás costas, pelo rio acima a servicio da avareza, a buscar o governador Joao de Ayolas, o qual tinha subido, com tres bergantins e 160 homens, pelo rio 380 leguas. E, deixando os bergantins com 30 homens, foi-se pela terra dentro com a outra gente em busca dos gentios chamados "Carcara", que tem ouro e prata. E, antes que chegassem lá, houve muita prata, a qual nao se sabe quanta era. E, voltando para tornar com mais poder para sujeitar aqueles gentios, adoeceu a gente que trazis a volta e, nao achando os bergantins no porto, foi ali toda a gente sem fiçar nenhum, mortos por uns gentios chamados "Pagaes"

Muito de considerar é, carissimos irmaos, os trabalhos que os homens levam pelas coisas 
deste mundo e quao poucas vezes sao galardoados mesmo destas coisas baixas dele; porque comumente os premios dos trabalhos tomados pelo mundo sao outros maiores trabalhos nele, deixando o perigo que tem de cair em pena eterna, e, todavia, ha tais que os sigam e tanto sofram por ele e por Deus que dá premio eterno a até centuplum in hac vita nao há quem faça nada. E aqueles que especialmente se dedicam a seu serviço sao tao excedidos dos do mundo, que tem farta materia de confusao en ve-los correr mais depressa à morte do que eles a vida.

Indo nos em busca do Governador passamos por muitos gentios que sería longo contar. Somente direi alguns, a saber: Os "Mearetas" que nos carregavam os bergantins de peixe curado ao sol e muita mantença, porque disto se mantem. É gente que nao come carne humana: tratam muito bem os cristaos; sao também piedosos como os Timbos, que nos receberam en suas casas, e os "Mepenes" que sao muitos e da maneira destos, e os "Cuchamecas" e os "Agazes". Todos estes gentios nao comem carne humana.


Chegamos a terra dos "Carijos", que sao gentios muito poderosos e grandes lavradores e, naquele tempo, em extremo crueis, que comiam carne humana. Chegamos con muita fome e falta de mantimentos, por haver seis meses que a remos tinhamos caminhado, sem ter un so dia vento de vela, la por nosso capitao un homem chamado Joao de Salazar muito capaz na guerra, o qual como nos via ir cansados de caminhar, tomou conselho do que seria bom fazer, e concluiuse que se fizesse ali fortaleza. E, assim saltamos em terra as tres partes da gente, ficando os bergantins apercebidos para a guerra no rio. E um homem, que levavamos, que sabia a lingua, começou a dizer áqueles gentios (que cuando nos viram eram tantos sobre nos que cobriam a terra) que nos eramos filhos de Deu e que lhes traziamos nossas coisas, cunhas facas e anzois; com isto folgaram e nos deixaram em paz fazer uma fortaleza muito grande de madeiras muito grandes. E, assim, pouco a pouco fizemos uma cidade aonde trouxemos toda a gente que vinha atrás, e outra que o Imperador depois enviou, de maneira que se juntaram nela 600 homens, os quais vieram a tanta cegueira que pensaram que o preceito cresciti et multiplicamini era valioso. E assim, dando-lhes os gentios a suas filhas encheram a terra de filhos, os quais sao muitos habeis e de grande engenho. Estando nesta cidade, chamada de Nossa Senhora da Assunçao, por ser começada neste dia, nos livrou Nosso Senhor, dai a algum tempo, no mesmo dia, de umas traiçoes que os gentios nos fizeram; e provue a Nosso Senhor que foram vencidos. E dai em diante começaram a temernos muito.

Desta cidade fomos mais adiante a conquistar terras e subimos mais acima 250 leguase chegamos perto do Maranhao e das Amazonas. Chegamos aos "Parais", gente lavradora, muito amigos dos cristaos; tem un principal a quem obedecem que em sua lingua chaman "Mameri". Nao comen carne humana. Perto destes estao os "Barbacanes", os "Sabacoces", os "Saicoces", todos gente lavradora de muitos mantimentos, é docil para receber a fé de Christo. Passamos por outros gentios, de que nao fizemos caso, por nao serem lavradores, a que chaman "Pagais", os quais mataram a nosso governador Joao de Ayolas. Estes sao pescadores e caçadores. Achamos também outros gentios chamados "Gaxarapos", mui ruim gente, e outros que chaman "Gatos".
E nao achando e nesta saida prata nem ouro, tornamos a nossa cidade, cansadose e em excesso trabalhados.
Neste tempo os Carijós tomavan muito bem a doutrina de Christo, como abaixo contarei.
Fomos outra vez no ano de 1548, que entramos caminho do poente, buscando a gentilidade "Carcara", que tem ouro e prata. Fomos vinte de cavalo e 250 de pé e 3000 Carijós, homens de guerra. E assim caminhamos pela terra dentro 70 leguas e chegamos a uns gentios, chamados "Maias", que sao seis provoaçoes e uma a meia (sic) onde estava o seu principal. E gente de muitos mantimentos e grandes lavranças. Nao comen carne humana. E vende-nos nao ousaram esperar-nos, fugiram desamparando a suas casas. Mas o principal nos enviou un presente de certas peças de prata e muitas mantas de algodao, que suas mulheres fiam e tecem. Tem entre si, a que chaman "Taonas", e a estes dao a comer os seus inemigos quando os tomam.

E, deixando estes, fomos adiante sempre por povoado e achamos outra muita gente, a saber: os Laenos, Quichaqueanos, Soporoanos, Madpenos, Canes, todos gente lavradora, de muitos mantimentos. Achamos também outros chamados Cororés. Estes nos esperaram para pelejar, mas os de cavalo os desbarataram. Tinaham uma provoaçao de bj (sic) casas com praças no meio, bem-feitas e poços de beber, muito fundos, por nao haver rios por toda aquela terra. E logo achamos outros chamados "Caporés", os quais tinham uma provoaçao de 300 casas. Estes nos enviaram muitos avestruzes e outras carnes, porque isto é o que mais há naquela terra. Achamos logo adiante outros chamados "Severis"; é provoaçao mais pequena. Deram-nos também do que tinham e nos deram noticias da gente que tinha ouro e prata, que se chamava "Carcara". E assim passamos aos "Corcorones", boa gente, e depois a outros, que nao nos esperaram per terem medo. Toda esa gente e boa e nao come carne humana. Dali passamos um despovoado de 50 leguas, mas sempre por bons caminhos e chegamos a umas "salinas", coisa muito para ver, porque sao cerca de meia legua de comprido, onde ha sal branco e limpo e em muita abundancia e está longe do mar 400 leguas. E ha muitos povos ao redor destas salinas, de que me esquecem os nomes. Chegamos, depois de tao grande deserto, a uns gentios chamados "Morianos" sem ter que comer, com muita fome e trabalho; e achamos mantimentos de favas e outros legumes, patos e galinhas. Depois fomos adiante aos "Bracanos" e aos "Paicunos", e estes somente achamos comer carne humana, porque lhes encontramos as panelas ao lume com metade e pés e maos de homens. E dai fomos aos "Morganos", que nos esperaram de guerra e nos mataram un homem e feriram 20. E depois fomos a outra povoaçao destes, que também nos esperaram, mas a todos cativamos, exceto os que fugiram. Dai fomos aos "Brotoquis" e "Cevichococis", "Oricicocis","Tarapacocis", todos em uma terra muito boa, que nao comen carne humana. As mulheres fiam e tecem muito bem, nem se ocupam noutra coisa, porque os homens tem cuidado das roças que sao as suas lavranças. Há destes muitas povoaçoes em 10 e 12 leguas em roda. Aqui tivemos noticias dos "Carcarais". E fomos adiante, como homens que sabiam a terra, por un deserto de 55 leguas; e chegamos aos "Tamachoois", que tinham muitos caes de Espanha. E ali soubemos estar perto do Peru e que aqueles gentios, por nao estar sujeitos aos Cristaos,, fugiram para aquela terra. E assim, enviando lá 14 homens, que chegaram dai a 90 leguas, aonde stava un cavaleiro chamado Dom Pedro, nos volamos muito tristes, por nao achar ouro nem prata, a nossa cidade, quere do ainda o Governador seguir o caminho do norte. Isto vos digo, Carissimos Irmaos, para que vejais quanta gente se perde por falta de operarios, que sem duvida se os houvesse toda esta gente se converteria facilmente a nossa santa fé, e para que vos espanteis do que os homens do mundo sofrem por uma esperança va das coisas dele, para que assim vos animeis em trabalhar e aperfeiçoar as vossas almas a vir ajudar esta gente tao desamparada. Tornado a nossa cidade, achamos admiravel fruto feito com os gentios, porque um Padre, chamado Nuno Gabriel, deixando uma capelania que tinha na igreja se deu todo a doutrinar estes gentios; tomava os principais deles e os filhos dos principais e os tinha em uma casa grande e ali os ensinava a ler a escrever e sabiam o Pater Noster e Ave-Maria, Credo e Salve-Regina, Mandamentos e finalmente toda a doutrina. Fez-lhes cantigas contra todos os seus vicios, a saber, para nao comerem carne humana, para nao se pintarem, para nao matarem, etc. Foi coisa para louvar a Deus o fruto que com estes gentios fez este Padre e a mudança que fizeram, porque sendo dantes grandes comedores de homens agora já vj (sic) leguas em roda os nao comem. E tanto o fervor que tem, que ainda nao manha, quando se enchem os caminhos dos que vem a missa. Melhor sabem as festas que muitos cristaos. Vem a missa um principal com toda a sua aldeia e depois outro com a sua e assim por diante os outros, e, muito cedo, para tomar lugar na igreja. Fazia este Padre com eles procissoes e levava consigo os que doutrinava, cantando louvores a Nosso Senhor e especialmente nas procissoes de Corpus Cristi, cantando muitos louvores do Santissimo Sacramento; pregava-lhes cada dia, e vinham de 5 leguas as mulheres com os seus filhos as costas, por frios grandissimos, fomes e muitos trabalhos, a batizar-se e ainda agora lhes parece que fazer mal a um cristao é o maior mal que se pode fazer. Vendo o inimigo da humana generaçao este fruto, buscou modo para o impedir e o achou. Porque os cristaos de cá, que ali estao, desbaratam tudo, escandalizando muito aqueles novos cristaos, porque nao deixam aos pobres indios, mulher, nem filha, nem roça, nem rede, nem cunha, nem escravo, nem coisa boa que lhes nao tomem e roubem. Levam-nos como escravos até o Peru e aqui ja trouxeram muitos cativos. Assim que, com o desamparo, se perdem por nao haver quem os socorra. Eu falei com o P. Manuel de Nobrega que fosse ou mandasse lá um da nossa Companhia, porque ali perto há outros gentios que nao comen carne humana, gente mais piedosa e aparelhada para receber a nossa santa fé, por ter em grande estima e credito aos cristaos. Agora tenho desejos de ser de 20 anos e ter longa vida para ir com alguns Padres da nossa Companhia, por eu ter mais experiencia da terra e gastar as minhas forças e vida em ensinar esta gente. Vinde, pois, Carissimos Irmaos, pois ja há tanto que fazer e tanta gente se perde por falta de operarios! Acrescentou-se o desamparo daqueles Carijos, que foi agora un capitao com gente da cidade de Nossa Senhora da Assunçao a buscar as Amazonas, onde dizem haver ouro e prata. E aquele Padre, que tinha doutrinado aquela gente, já enfastiado de ver tantos males dos cristaos, foi com eles e nao há agora quem tenha cuidado daquela gente senao para a destruir e assolar. Neste estado deixei aquela terra rogando a Nosso Senhor me desse caminho para a minha salvaçao e assim vim aqui, que sao perto de 360 leguas, por uns gentios, chamados Topinaquinas e embarquei para Portugal para dar lá larga conta destas necessidades e se me quissiesem receber na Companhia para fazer penitencia dos meus pecados. Mas, tornando a arribar e, movendo-me mais Nosso Senhor, pedi ao Padre Manuel da Nobrega me recebesse e ele me recebeu nesta santa Companhia. E assim me trouxe Nosso Senhor, depois de tantos trabalhos, a porto tao seguro e me fez grande merce, qual eu nunca saberia agradecer. Assim pois vos contei, Carissimos Irmaos, a messe que há nesta terra, tanto em todos estes gentios e Carijos, como no Peru, onde há grande necessidade de Padres da Companhia, porque afinal, os que lá vao, levam mais o seu intento no ouro do que nas almas, e mais impedem com a sua cobiça a salvaçao deles. Já o caminho esta feito daqui ao Peru, e a gente muito aparelhada para receber a nossa santa fé. Nao fata senao que venam da Companhia, uns para as partes do Peru, outros para aqui, a colher tanta messe, até que pelo tempo. Nosso Senhor queira que se ajuntem, porque há alguns anos que foram dois frades franciscanos, entraram cerca de 50 leguas daqui desta Capitania pela terra dentro, caminho dos Carijos, e a uma aldeia deles chamaram Provincia de Jesus, onde fizeram admiravel fruto. Isto digo para que vejais a disposiçao desta gente, principalmente a dos Carijos, que estao desejando quem os favoreça, e muitos espanhois que ali estao os desejam. E assim escreveu já dali um Padre ao nosso Padre Leonardo Nunes, pedindo com muita instancia que vá lá. Nas oraçoes dos Padres e Irmaos muito no Senhor me encomendo.
  

lunes, 30 de noviembre de 2015

El entierro de Bigotes

nabokovcazandomariposas.blogspot.com
La primera vez que este cronista, a la tierna edad de siete años se puso a cavilar, con su todavía rudimentario intelecto sobre el significado y origen del popular refrán, -aquél que, desde siempre habían utilizado los allíneros para conjurar a los elementos naturales más inhóspitos (veanse: tormentas, truenos, rayos, inundaciones…), o simplemente para avisar de ellos cuando ya, además de no podérseles conjurar casi se les venían a uno encima- fue, precisamente, una de esas noches de las que -sin pretender pasarse de lúgubre- hacía justo honor a tan popular conseja.
-"Va a llover más que cuando enterraron a Bigotes".


Esto fue lo que oí decir a mi abuelo José, (el padre de mi ya difunta madre) que en ese preciso instante bajaba, lentamente y con crujidos de mata polillas la empinada escalera de madera que, desde nuestra cocina (donde nos encontrabamos reunidos todos los miembros de la familia menos mi hermano Guillermo que había ido para acompañar a su novia hasta el barrio en que vivía) conducía, les digo, a la buhardilla donde, desde su separación matrimonial de la abuela Encarna, acudía por las noches a derramar sus huesos perfumados de yodo sobre las viejas lanas de un aún más viejo camastro militar que trajera mi padre desde un chatarrero de la barriada de San Amaro cerca de un jardín donde habitaba desde que yo era niño un viejo mono, antiguo tripulante de un mercante liberiano y que fue abandonado a su suerte en el muelle de poniente y que ya en la jaula le tiraba a los niños las piedras que aquellos previamente le habían tirado envueltas en papel de caramelo.



-¿Me oyes Lolita? Lolita era el cariñoso diminutivo con que el abuelo llamaba a mi madre.
- ¡Va a llover mas que cuando enterraron a Bigotes!
Y la verdad era que, desde que habíamos terminado de cenar, y nuestra madre había entronizado sobre la mesa el lebrillo de barro con las lentejas (con antiguas liturgias aprendidas de su madre, como era la de hacer la señal de la Cruz sobre la racion de las proletarias legumbres mientras mascullaba unos latínes que sólo Dios sabe si ella misma los entendía) para que entre todos las limpiáramos. Y la botella de aguardiente (ésto último sólo para los hombres, o sea mi padre y mi abuelo) desde eso no había cesado, en toda la noche, de tronar.

Eran esos truenos secos, tan característicos de nuestra climatología, desgarradores del propio animo como ellos solos lo eran, que se aproximaban al Pueblo, como cabalgando, desde las últimas cumbres de Sierra Bullones, y que luego se rompían en mil pedazos, muriendo todos ellos en un único fragor sordo, sobre cogedor y pánico que sonaba (al menos así me lo parecía a mí) como a los golpes dados sobre un gigantesco sarcófago que estuviese descendiendo de donde los dioses, desparramándose al fin, con lúgubres y metálicos ecos por entre las piedras antiguas de nuestro barrio


La verdad es que han transcurrido ya tantos años -a mí me parecen ¡tantísimos...!- desde aquella noche, que no puedo recordar muy bien si fui yo o fue mi hermana (sobre cuyos intereses y conocimientos meteorológicos me corroían entonces más que fundadas dudas dado lo tierno de su edad que no pasaría arriba de los tres años) quien le preguntó al abuelo por el origen de curiosísimo refrán o, si tal vez fue el propio abuelo el que comenzó sus historias sin que nadie le interrogara que era, por otra parte, como muchas veces también sucedía. 

Lo que sí recuerdo bien es que el abuelo José, echando miraditas (como las echaría una Sabina sobre su mágica bola de cristal) por los transparentes vídrios de su copa de aguardiente (como consultándoles, me decía yo,) contó algo, si no completamente literal, si bastante parecido a esto que yo les cuento ahora:
Una fría mañana de enero del año…; ese mismo año en que se estrenó la butaquería nueva del teatro Apolo y cuyo escenario fue inaugurado por una cantante de arias que vino desde la otra orilla del estrecho. Una de aquellas mañanas, en fin, en que los cocheros, para matar el frío que bajaba por la calle Soberania Nacional y que había nacido de madrugada en las faldas del monte Hacho vigilaban sus simones desde el interior del café "El Rapido", con una copita de ginebra caliente entre las manos.

Mi abuelo, que conducía (no sé si se habrá dicho ya) coches de caballo "por cuenta" y que, como los demás, estaba pegadito a los cristales tomándose su desayuno habitual (una sopita de higos secos cocidos en vino añejo) vio de venir, cuando daba cuenta del último higuillo con sus gotas de ámbar enrojecidas por el vino, vio de venir les digo hacia las vidrieras del Café, corriendo por mitad de la Plaza del Reloj, a Guillermito, un tonto, decía mi abuelo, que dormía abrigado con hojas de periódico debajo del puente Almina en una de las tres barcas que los soldados de El Fijo utilizaban para vigilar los acantilados del Presidio. El mismo Guillermo (mi abuelo se emocionaba al contarlo) que se llevaría la riada del 35 dejando su enteco y esquelético cadáver arriado como el resto podrido de algún naufragio en las playas de La Ballenera, toda la cara comida por unos marrajos hambrientos. Guillermo, el tonto, era además tartamudo:
-Ya… Ya… Ya lo traen. Ya lo traen
(CONTINUARÁ....)

domingo, 18 de octubre de 2015

UN INVIERNO EN SOS

 
                         
             
                   ¡¡¡¡¡¡Leed...leed malditos!!!!

Por desgracia para unos pocos miembros de esta tribu de c...f...s llamada España que padecemos el mal de la adicción a la lectura, para esos, el adagio de Larra sigue teniendo en esta querida y padecida piel de toro tanta vigencia como el día en el que el suicida intelectual la escribió, sólo que habría que añadirle que también leer es llorar. ¿No fue Galdós (pregunta retórica) el que comenzó una de sus mejores novelas con aquella rotunda frase de: ¡Aquella burocracia gris...plúmbea Pues la bordó...el joío...

¿No...? ¡Por mis muertos que si! ¡Por éstas que son cruces!

Cucha...cucha....

Para alimentar mi entrañable enfermedad con las dosis diarias de papel impreso en mis rutas por las carreteras de España me veo obligado a llevar conmigo en la autocaravana la friolera de diecisiete carnets de bibliotecas, un carnet por cada tribu o taifa que, atendiendo a los gritos de la ch....., de la masa, estos politicos que Dios c....., nos metieron por la puerta de atrás, por ese agujerito donde no brilla el sol (como genialmente lo llama Carlos Herrera) el timo de la estampita que el entrañable Tony Leblanc llevó a la pantalla, las autonosuyas de Vizcaino Casas, La Vaquilla de Berlanga, el Plan Marshall de José Isbert...el Sumsum Corda ibero, querido lector.

Como cada tribu (véase autonosuya) tiene sus reglas para masturbarse el ego con su propia y genuina identidad de barrio, y, dentro de cada barrio cada bibliotecaza se quiere diferenciar de la bibliotequita y ésta a su vez se quita el complejo de inferioridad despreciando y buscando señas de identidad para diferenciarse a su vez de la bibliotequititititta...,total, que en este país de tribus africanas, arrancarle un libro al S.P.B.E. (en las siglas puede colocar el lector lo que le salga del níspero...total, para lo que le ha de servir), es una obra digna de los siete Titanes (¿eran siete o los estoy confundiendo con los Magnificos?) o de Hércules, el Poirot o ese otro que ganduleaba por las páginas de la Mitologia griega y que nos servían en las peliculas "de romanos" encarnado en las apetitosas proteínas de Steve Reeves (¡qué malo era el joío!) comiendo pipas, comiendo pipas nosotros, yo y mi hermana, que era una muñeca tierna como la propia miel y se tragaba el angelito la película (¡Nene...vámonos!) todas las veces que mi egoísmo decretara que nunca bajaban de tres, mientras en la última fila, voyeurizado por la acomodadora, que era lesbiana, un maricón se la pelaba a la salud del susodicho actor...(lo de actor es un decir).

....Pues eso...Que con esta cáfila no hay quien pueda...Ora pronobis....
Que me ha caducado el préstamo de las Memorias de Terenci Moix por no saber manejar el ordenador...que ya son ganas....(*) Y todo, cuando ya hemos descubierto que en el planeta Martes alguien se la peló antes que nosotros...

Que me van a sancionar a no poder leer los libros de su taifa por no sé cuantos días.
Estos días, aquellos políticos, aquellos padrastros de la patria que nos metieron el embolao de las autonosuyas se quejan de que los nazionanistas les quieren levantar la merienda (uno que tiene el signo de sumar en su apellido y que le chulea a los jueces) ya está en un tris de levantarse con el santo, la peana, y la recaudación del cepillo..¿Que nooo? ¡Dale tiempo al angelito!

Pero...¿que se esperaban de los nazionanistas (ojo que el neologismo ya tiene mi copy raig...o como se diga) estas almas cándidas?

Yo, como decía Fernando Pessoa <>. Yo estoy tranquilo asi quieran levantar diecisiete aduanas con diecisiete cuerpos diferentes de carabineros..¿habrá colores para todos? Tengo libros de Josep Pla en catalán que leo con placer. Y del ático que tenemos pegadito al cantabrico solo me interesan Unamuno y Baroja, que no escribían en vasco...tampoco se había inventado para entonces....
Y en mi sótano estoy acumulando libros como hacían aquellos de Farenheit cuatro, cinco, uno (¿o cero?)...Joder, ésto parece el relleno de una "Primi...."

(*) ¡No.....tío listo...no se podía renovar por teléfono! Fue lo primero que me dijo la burócrata número FGRT67843209878654-0000000067543 de la sección HIOMNJYYZ73546900001. No...no se podía....
De nada.
A mandar.

Jean Valjean. Sos del Rey Católico

sábado, 12 de septiembre de 2015

UN VIAJE EN TREN



Talgo pendular. Mensajes publicitarios. Montes de Pizarra: decorados de peliculas "del oeste". Túneles de "El Chorro". El tren se quita y se pone sucesivamente su abrigo de tierras y olivos. El tren, como si estuviera quejoso de abandonar esta parte del país lanza lastimeros quejidos cuando pasa veloz por las pequeñas estaciones incendiadas con el fuego blanco de su cal; los tiestos de geranios de todos los colores humanizan el acuarium de cristal ennegrecido en cuyo interior retumban y saltan como diablos enloquecidos las manivelas de acero peleandose con las ruedas del tren que se quieren escapar de los rieles que las tienen apresadas.El  botijo, colgado bajo el reloj, sudado y frio, permanece impasible ante el grito ensordecedor que inunda el anden al paso del terrible mastodonte.

En el interior del compartimento un silencio aseptico como de ambulatorio medico. Detrás de mi nuca un bebé se pregunta sobre el sentido de su existencia con un soliloquio dulzón de saliva y maicena.

Parada al pie de la montaña, en la ladera, entre el verde seco de los olivos el blanco bostezo de una alquería. Calor sofocante de estío. Camino polvoriento, seco, donde un rebaño de cabras, como parido por la tierra, irrumpe de pronto impregnando el paisaje de un africanismo contundente, total, sin réplica; alguna de ellas se entretiene arando con sus dientes amarillentos en la mano verde de una chumbera, hasta que el estampido de una piedra sobre sus ancas sucias la espanta y huye, corriendo, hasta enterrarse de nuevo en el oleaje caqui de pelo y boñiga de sus compañeras de infortunio. El perro del pastor, consciente de su importancia, contempla la maniobra con indiferencia izado sobre un monticulo, aunque no quita ojo de las cabras, diríase que las cuenta una a una...

El jefe de estación de la Estación de Gobantes recibe al tren en una posición "de firmes" de soldadito de plomo.

Al cruzar el último túnel, un algarrobo despeinado, de un verde amargo, pasa con indiferencia por delante de nuestra ventanilla.
Llanos de Puente Genil: verdura espantada de los olivos aplastada por un cielo brumosos y peligrosamente bajo. Un gallito de hierro hace funambulismo sobre el alambrito norte sur de su veleta. Los olivos, a tres patas, hacen la rueda bajo las nubes grises:

                                                Que llueeeeeeva...

                                                 que llueeeeeeeva
                                                  la Virgen de la Cueeeeeeva....

Una calva de faldones entrecanos amanece (o atardece) tras la cabecera del asiento delantero; es una calva sublime, socrática, que me acompañará Dios mediante hasta la Estación de Atocha.


 El bebé que llevo detrás se ha debido dormir; ya no se oye ese runrruneo felino injertado en mantra hindú; de vez en cuando se ve que suelta un eructito porque acaricia mis orejas un perfume que se encuentra equidistante entre la leche agria, la maicena y el agua de colonia con la que sin duda, su protectora lo ha de estar incensando constantemente.
-¿Le molesta el niño?
- No señora...¡Por Dios...! Angelito.
-Es que hasta que no acaba de echar los gases no se tranquiliza. ¿Sabe usted?
-Nada señora. A mandar. Y que lo crie con salud.
-Muchas gracias
-No las merece. Faltaría más.

Hace como unos diez minutos que el tren ha tomado la via del AVE y no se siente ya debajo del suelo, ese traqueteo, ese cabalgamiento entre oseo y metálico con el que nos hemos dormido siempre en aquellos viejos trenes de nuestra infancia y que le hicieron por ello merecedor, a este medio de transporte del romántico apelativo de iron horse: caballo de hierro.
Esta quietud acuática unida a esta velocidad de vértigo, empaquetados como vamos entre moquetas y ventanas que no se abren, nos hacen aborrecer aún más si cabe este odioso progreso que nos lleva a todas partes desbocados y a uña de caballo....¡Bueno...! que más quisiera uno que ir todavía y literalmente a uña de caballo, sería señal de que vamos a lomos de uno de estos hermosos y nobles animales.
...¡Qué más quisiera uno...!


                                                                    -------oooo----------


Jean Valjean.

























sábado, 28 de marzo de 2015

EL ÚLTIMO TRANVIA (Las Memorias de Jean Valjean)



                                                                             Verano del 59

Mis comienzos como estudiante de bachillerato en el Instituto Nacional de Enseñanza Media de mi ciudad natal no pudieron ser peores: aunque el número de asignaturas que suspendí se ha disuelto ya en las aguas del olvido creo recordar que únicamente aprobé Dibujo Artistico, gracias a mis habilidades innatas para el trazo y las sombras, porque hasta la Gimnasia, llamada eufemísticamente Educacion Fisica suspendi por -creo recordar- carecer de la más mínima elasticidad en los ejercicios de salto y carrera, mostrando una más que evidente torpeza para realizar la figura de el pino y voltearme por encima del potro. Ante la magnitud del fracaso, mi corto cerebro y mi estúpida terquedad me llevaron a falsificar las notas, convirtiendo un expediente desgraciado en un brillante cum laudem que, naturalmente, no fue creído en casa; aun me avergüenzo al recordarlo.




Comenzaba el verano del 59 y llegaba a casa el pequeño Volkswagen "escarabajo" solicitado a través del catálogo a su fábrica en Alemania; nuestro flamante utilitario nórdico destacaba como una gema entre aquel espeso hormiguero de patrioticos "Seiscientos", que la industria automovilística española comenzaba ya a verter sobre el asfalto de nuestras carreteras aún comidas por la lepra de los baches y los socavones; una tierna España que aún se calzaba con alpargatas y se cubría con boina, y que usaba para "eso" hojas de periódico en lugar de papel higiénico. También en ese verano nos visita el presidente norteamericano, (antes hemos entrado en la ONU) y yo, pobre neurótico infantil lo paso ondeando con triste gloria la bandera de la felonía cometida contra mi cartilla de calificaciones; tan sólo el reciente fallecimiento de mi hermano Pepe que llevo a nuestra madre a proyectar todos sus miedos sobre el más pequeño de todos los varones convirtiéndome en un pelele mimado y consentido, tan sólo eso me libro de (ahora si) las justas iras de mi padre que, también neurótico, temio tal vez excederse en sus correctivos, cómo le había sucedido tantas y tantas veces. En fin, que aburridos y cansados, decidieron mis progenitores, de mutuo acuerdo, abdicar de sus obligaciones tutoriales para conmigo y delegaron esa (lo reconozco) dura carga en los Hermanos Salesianos de San Juan Bosco, cuyo internado se encontraba cerca de nuestra localidad una vez cruzado el Estrecho.




Mi padre siempre creyó que aquellos buenos curas, inspirados sin duda por su santo director, habian obrado, literalmente hablando, un milagro sobre mi arisca persona, y no le faltaba razón para ello porque la verdad es que la transformación de mi carácter se hacía evidente después de unos breves momentos de padecer o disfrutar de mi compañía. Contemplados desde la lejanía de los sesenta y cinco años, mi comportamiento durante aquellos dos cursos escolares vividos en el Internado fue otra prueba evidente de mi desequilibrio emocional. Demasiado consentido y mimado por mi madre y recibiendo de mi padre una indiferencia gélida el resultado de tal tormenta de encuentros y desencuentros no pudo ser distinto del que fue, a saber: mi neurosis infantil no diagnosticada y, por ello, no tratada era la que gobernaba mi vida a su entero capricho y antojo. Ante la firme oposición de mi madre a introducir algo de disciplina en mi carácter pusilánime e infantiloide, mi padre, Como por desgracia suele suceder en estos casos tomó el camino más cómodo: la más absoluta indiferencia ante cualquier pueril rebeldía por mi parte, quién sabe si no sospechaba ya, al mismo tiempo que no era el el padre más apropiado pues su neurosis también le imponía limites. Como paraba poquísimo tiempo en casa, tampoco le resultó difícil vivir en la clandestinidad más firme, llevando mal o bien el papel de un padre a media jornada como se diría ahora.

No se puede explicar de otra forma mi comportamiento en aquellos años del internado. No tardaría en arrepentirme de decisión de interrumpir mis estudios en aquel colegio. Situado el colegio en el centro de un extenso bosque de eucaliptos pinos alcornoques y teniendo como límites las playas, las extensas playas atlánticas de la costa gaditana gaditana, se vivía un ambiente calmado tranquilo. Mi neurosis, alejado de mi familia que era en mi caso el detonante de mi enfermedad, estando la misma en estado durmiente y habiendo conseguido una beca que aliviaba bastante la carga económica que para mis padres suponía mi estancia en un colegio de ese cache y habiendo conseguido, por mis excelentes calificaciones una beca bastante sustanciosa, tenía todos los triunfos en mi mano para que mi vida hubiera tomado otro rumbo bien distinto y que mi desgraciada y desafortunada decisión le llevó a tomar.

Con estos buenos salesianos cuyo trato hacia nosotros era excelente, con ellos descubrí el placer de la lectura, afición que tuvo sus gratas consecuencias en los estudios pues eran coronados cada trimestre con calificaciones más que notables. Este panorama que, desde los pupitres del colegio se abría ante mi vida difícilmente iba a fracasar y estoy convencido ahora de que mi vida hubiera sido muy distinta de la que ha sido. Habría terminado el bachillerato y, seguramente, habría continuado estudios universitarios…todo eso se vino por tierra cuando en el segundo año de estancia me negué a regresar al colegio. Estudie tarde y mal una carrera para la que no sentía ninguna inclinación que se reflejó en mi curriculum con situaciones verdaderamente patéticas. En definitiva he sido una hoja llevada por el viento. Desde siempre he tenido la triste sensación de que yo no he gobernado mi vida y si no he acabado peor ha sido por puro azar que no me ha llevado por caminos muy difíciles.


Jean Valjean



Crónica de una victoria anunciada

Prólogo:
Quiero colgar en mi blog, este relato que me ha enviado mi amiga Sara. Mi amiga Sara, lee a Cioran, Bukowski y escribe muy bien.

                  CRONICA DE UNA VICTORIA ANUNCIADA

     He matado al dragón. Pero yo no sabía que su llama estaba extinta, que era el último de su especie. Ahora Greenpeace me persigue, y ni siquiera tengo un poco de compost con el que sobornarles. Vale, lo hice. Lo hice por los cuentos que me contó Disney, ese hombre tan frío. Lo hice porque le di a los intérpretes, sus libros decían que los dragones representan los propios miedos.Y muerto el perro muerta la rabia ¿no? No, en realidad muerto el perro muerto el perro. Los miedos son como un idioma, puedes matar a sus hablantes pero la configuración impalpable sigue existiendo. Además es un idioma que comprendes, que tu laringe ha memorizado. Pero volvamos a la historia.
   
     La protagonista era yo (¿como no?) Yo limpiaba culos en una residencia de ancianos y jugaba al cinquillo con la muerte (la muerte se llamaba Isabel y su alzheimer la hacía recitar interminablemente vida de un héroe el poema y Zúñiga) Era elegante no tener aspiraciones. Era casi zen, casi nada. Iba al trabajo y luego volvía del trabajo, matada mis propias gallinas para sacarles de dentro los huevos (nunca he tenido demasiada paciencia) y tenía una escasa pero suficiente vida social.

     Pero entonces, una noche, lo supe: A esa hora tan recóndita que ni una ventana de la ciudad permanecía encendida vi la guarida del dragón. Más allá de los polígonos industriales y los toros Osborne, en la cima de una colina, se elevaban bloques de piedra superpuestos desordenadamente; era una torre. De ella provenía un lamento como de camión cisterna. Por un momento, volviendo la mirada al interior de mi cuchitril ikealizado, dudé si estaría soñando. Algo me empujo hacia allí. Quería descubrir qué era ese aullido que, como más tarde comprendería, me había arañado el
corazón.

     Hacía frío y la torre estaba rodeada de cadáveres. Algunos, de cuyos vientres reventados brotaban extrañas especies arbóreas, aún musitaron canciones de Antonio Vega y los Chunguitos "Ojala estuvieras aquí", pensé, como una de esas postales. Para darme la mano y todo eso que hacen los padres. Entré por un hueco entre dos de las piedras que sostenían y formaban la torre. A partir de ahí la enormidad y el terror volvieron mis actos breves y certeros; limpios, como nunca me había ocurrido. Sí: era un dragón, y si: lo maté. No es que esté muy orgullosa de ello, pero ¿qué otra cosa podría hacer? En ningún momento estuve en peligro, pero eso no le importa a la imaginación.
Después me enteraría de que era una especie ofensiva de reptil, el último de esos seres sobre la tierra. Pero vamos, que seguro que lo pueden clonar, los científicos todo lo pueden.

     Ahora veo avanzar como agua derramada la investigación, en las noticias de Antena3 justo después de que informen de la última colección de Victoria' Secret y antes de los deportes. No me importa si me pillan, la vida sólo puede cambiar hasta cierto punto (sólo puedes estar otro sitio, con otra gente) y seré capaz de adaptarme. Asentiré, como he hecho siempre. Sé que eso no es admirable pero es lo que hay.


     Echo de menos al dragón, su lamento nocturno, su inaudita capacidad para conmoverme, pero me consuela pensar que su cadáver, como el mío, alimentará a millones de seres vivos. Se fundirá así con la tierra y de ella brotarán manzanos, lirios, aves del paraíso o enormes centros comerciales. Quién sabe.


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En este relato lo voy a poner todo. Va a ser un collage bizarro de violencia, sexo, viajes iniciáticos y galaxias lejanas. Pero todo ello guiado por un propósito edificante. Van a estar implícitas todas las filosofías posibles hámster la vida y sus contoneos. Van a venir los Power Rangers a explicarnos cómo vivir plenamente el ahora y, luego, unos samuráis fracasados con barba de dos días y barriga cervecera van a llevarse de putas a nuestros héroes, que acabarán reconvertidos en soberbias caricaturas de sí mismos a la puerta de cualquier tugurio de mala muerte.

     Incluirá los mandamientos y las abluciones. Todas las religiones existentes, a los matemáticos antiguos y su concepción geométrica del mundo. A los fisioterapeutas bancos, los cantantes mudos, las niñas diabólicas. Todos se congregarán en ese relato, para enseñarnos lecciones moral mente purificadoras, como un coro de gospel en el momento justo de la película.

     Habrá pájaros que ya se han extinguido. Y lluvia.

     Los besos se confundirán con impactos de cuerpos contra el asfalto a 200 km/h, que a cámara lenta y con la banda sonora adecuada nos resultarán estéticamente sublimes. No sentenciará que vivir merece la pena, sino que lo mejor es enemigo de lo bueno. Habrá mafiosos rusos cantando saetas, y la silueta del amor de tu vida alejándose para siempre en una tarde de verano. Habrá barcos piratas en las aguas de Somalia y orcas asesinas pescadas justo después de ser liberadas por niños americanos con aparatos en los dientes. Habrá tetas, caricias, fluidos, deseo, aliento. Mal aliento. Gengivitis. Repugnantes desórdenes cuatáneos.

     Espías tras las cortinas, que beban café caliente sentados al brasero con sus madres, en sus días libres. Con la pistola sobre la mesa y molestos como niños cuando ellas les interroguen sobre su dieta. Pero sobre todo habrá adicciones, maratonianas jornadas de trabajos basura, rebeliones en la Granja San Francisco (miel derradamada por todos los ordenadores de la empresa, etc.) Bromas malas, amistad y cariño. Desencuentro, frustración....irónicas e ingeniosas revelaciones sobre nuestra propia conducta.

     Ordenará el mundo con un solo fallo, porque nada es perfecto. Hará que dejemos de avergonzarnos de nosotros mismos, de cualquier porción; hará que nos amemos y aceptemos y no creamos que otros pueden enseñarnos como comportarnos. Diluirá el sistema educativo en un par de trazos. Después de leerlo, nos levantaremos por las mañanas e iremos adonde queramos, sin prisa. Este relato nos hará sentir libres y nos hará descuidados. Nos hará reirnos como si no tuviéramos pasado. Correremos nosotros hacia nosotros mismos, con los brazos abiertos y entusiasmados. Será como un poema de Whitman, será un poema panteísta, monoteísta, ateo y gramaticalmente impecable. No tendrá una sola coma fuera de lugar, una sola falta. Sus premisas sustituirán a las premisas que tanto tiempo nos ha costado edificar sobre la realidad. Nos sumergiremos y creeremos. Confiaremos. Abriremos las manos saboreando nuestra saliva metálica. Olvidaremos por fin nuestra postura, nuestra identidad, nuestras contradicciones.

     Y todo, gracias a este pequeño relato. Un relato que no nos promete la felicidad, sino que se promete a si mismo. Amén -perdón- quise decir: Amen.

lunes, 8 de diciembre de 2014

EL ÚLTIMO TRANVÍA (Las Memorias de Jean Valjean)

No recuerdo en qué época del año nos sometíamos profesores y alumnos a los Ejercicios Espirituales pero sospecho que debía de ser en unas fechas próximas a la Semana Santa. El Colegio tomaba entonces el aspecto de una fortaleza medieval sitiada por no se sabe bien qué diabólicos enemigos mundanos. 

Todo el decorado de películas medievales que portaba yo en el baúl de mi memoria, salían atropelladamente de mi cabeza tomando forma en la realidad y me creía a veces un monje de clausura y otras el mendigo leproso que volteando su campanilla, avisando del mal que lo infectaba  acudía en los días de lluvia a acogerse bajo los soportales de mi convento. La imaginación –ya digo- se me disparaba en esas especiales jornadas. 

El primer día de Ejercicios comenzaba con el rezo de maitines que tenía lugar en la capilla a las seis de la mañana. El oficiante, que ese día solía ser el Director del centro, después de darnos la bendición y el ite misa est, se dirigía con los diáconos hacia el gran portalón que daba acceso a la calle con un pequeño coro de seminaristas que cantaban “a capella” los misereres del oficio de tinieblas. << Diviserunt hic sibi vestimenta mea....>> es todo lo que recuerdo de aquel cántico. Aquí,seguramente, despertó mi afición por el canto gregoriano. 

El resto del alumnado permanecíamos en la capilla de rodillas y mascullando latines teniendo como fondo el mantra bíblico del armonio de don Luis, el Profesor de Talleres: con su calva brillante y los ojos hacia el cielo parecía un sampedro de madera barnizada. Todos esperábamos expectantes el gran choque de las dos enormes hojas del portalón con un estrepito de pelicula “de romanos”. Si el silencio era favorable podían oirse las vueltas que le daba Venancio a la llave; después, y con un ritual casi pontifical el oficiante recogía las llaves de manos del portero y se las entregaba a uno de sus diáconos que la expondrá a los pies del altar mayor hasta que transcurrida la semana de Ejercicios se repita la misma liturgia para levantar el sitio pero ahora con cantos de alegría y juegos de pelota. 

De lunes a domingo se suspendían las clases y pasábamos casi todo el día rezando en la capilla o atendiendo a las charlas que nos daban unos salesianos que venían desde Cadiz y que convivían con nosotros toda la semana. Se limitaban las conversaciones entre los propios alumnos y tan solo en las comidas se permitían las tertulias entre los comensales pero en voz sumamente baja. El resto del día teníamos plena libertad para entrar y salir de la biblioteca que permanecía abierta durante todo el día. Recuerdo con dulce nostalgia mis lecturas de La Historia de los Mártires de Roma de John Fox, un escritor del siglo XVI; fueron casi ochocientas paginas de sangre, leones y circo, perfumado de incienso y mirra pero yo lo leía como si estuviese presenciando una pelicula de “la Metro”.

Por una extraña circunstancia que yo ignoraba se encontraba entre los libros religiosos, que eran los únicos que se nos permitía consultar, una vieja edición de Ivanhoe que, obvio decir, pasó por mi pupitre brindándome horas de placer. La semana transcurría así, en paz y en silencio, y todos los alumnos sin excepción nos adaptábamos a este regimen casi monacal. Soy consciente de que ahora nos sorprendería un comportamiento tan respetuoso de los alumnos, pero puedo dar fe de que así era, no me he inventado nada; respetábamos a nuestros profesores y los queríamos pues ellos, al no tener que sufrir las presiones de unos padres excesivamente protectores de sus hijos se encontraban completamente relajados; raras veces nos llamaban la atención y es que nosotros tampoco nos hacíamos merecedores a los castigos que de todas formas nunca contemplaban el azote o la humillación; el más severo de ellos era permanecer en la biblioteca del colegio durante las dos horas que duraba la proyeccion de la pelicula que tenía lugar en el salón de actos que era una real y auténtica sala de proyecciones.

Yo recuerdo que tan solo dos o tres veces, durante el tiempo de mi permanencia en el colegio me hice merecedor de este castigo que yo aprovechaba para saciarme de las lecturas que me robaban las horas de estudio. La mentalidad de estos hombres célibes y entregados a la vida de una colectividad pedagogica era muy primaria y elemental, carecían de esa picardía canallesca que te brinda el roce con tus semejantes y el continuo trato con niños y adolescentes los hacían también a ellos un poco infantiles.; recuerdo a este respecto como durante una clase, un alumno de quinto curso le levantó la voz a don Benedicto, que era menudito y silencioso. Don Benedicto se asustó y salió despavorido de la clase para pedir ayuda al Padre Conserje que se limitó a tener una charla con el insurgente en el patio que después de besar humildemente la mano del Sacerdote secretario fue a pedirle disculpas al profesor...y de ahí no pasó la cosa; es muy posible que en los malos tiempos que sufrimos ahora, ese profesor, después de haber sido agredido por un alumno tuviera que padecer el acoso de un padre irresponsable y maleducado.

Jean Valjean




sábado, 25 de octubre de 2014

Las Memorias de Jean Valjean

Cuando aquellos libros de Emilio Salgari, Julio Verne, Conan Doyle...comenzaron a aburrirme lo suficiente hube de acudir, para seguir matando el tiempo en las eternas siestas insomnes de aquellos veranos sureños a la pequeña biblioteca del mayor de mis hermanos; él, que era el único de la casa aficionado a la lectura (abrigado ya económicamente, a sus dieciseis años por una nómina del Estado a la que se hizo acreedor como funcionario en la Delegacion de Comercio de Ceuta) compraba a plazos aquellos libros gordos de dos mil y tres mil páginas de papel biblia en los que la Editorial Plaza y Janés servía a la voracidad lectora de mis paisanos los autores de moda: André Maurois, Lajos Zilahy, Somerset Maugham.Estos autores fueron mis padrinos en mi puesta de largo como lector impenitente. 

 Mientras mi hermano oía devotamente sus lecciones de inglés en el pickup comprado también a plazos yo pasaba páginas y páginas de tan perfumadas ediciones apenas sin entender nada de lo que iba leyendo pero que al suponer, para mí, dichas plúmbeas lecturas, la tabla de náufrago que me rescataba de la calle, la excusa que me eximía, al menos delante de mi conciencia de la obligación de tener que alternar con mis semejantes yo hacía como que aquellas lecturas no solo las entendía sino que hasta las disfrutaba; algo realmente  patético. Aun así, tanta y tan precoz fuerza de voluntad no será premiada jamás por el Destino, pero eso ya es otra historia.

Una vez leída, de aquella manera, la pequeña biblioteca de mi hermano sucedió, no recuerdo cuando ni en qué circunstancias, un hecho verdaderamente prodigioso (prodigioso en el sentido de excelente, exquisito, primoroso, que es como lo define el Diccionario de la Real Academia en su segunda acepción) como lo supuso el descubrimiento de la Biblioteca de mi Instituto, que si no recuerdo mal era al mismo tiempo la Biblioteca Publica Municipal del pueblo que por falta de local se alojaba entre los estudiantes que dicho sea de paso no la frecuentaban excesivamente, y es que, simplemente ignoraban su existencia, como yo.

 Este descubrimiento de mi “paso del noroeste” particular, este hecho marcará, aún albergo serias dudas de si fue para mi bien o para mi mal, un hito en la historia de mi vida; su depósito bibliográfico (que ahora nos parecería modesto) y que dormía entre las cuatro paredes de esta sabia institucion me catapultaron de hoz y coz en la pasión por este deporte de pasar páginas y comer letras y que nunca me abandonará apartandome ya de una forma definitiva e irreversible  del tráfico callejero y de las para mí dificiles relaciones con las agrupaciones canallescas de la muchedumbre infantil del barrio que pasaban las tardes de sábado rompiendo pelotas de trapo en un remedo de futbol junto a las tapias del Asilo de Ancianos o persiguiendo a los pobres gatos de la municipalidad los cuales, al menor movimiento sospechoso de la díscola tribu, desaparecían por las esquinas como pequeños relampagos de terciopelo beige. 

Muchas veces me han preguntado cómo me aficioné a la lectura. Y como esta pregunta se la hacen a uno cuando ya pinta algunas nieves en el cabello y cuando se ha perdido ya la cursileria pedante de la juventud he contestado lo que ya he citado más arriba y que es la cruda verdad: fui un niño retraido y tímido que me relacionaba mal con mis semejantes de pantalón corto y mis semejantas de lindas trenzas escolares; me rompí los dientes delanteros cuando llegué a esa edad en la que uno se mira más en el espejo que en el prójimo y este aspecto feo unido a los apelativos insultantes que me brindaba la canalla infantil del barrio me llevaron a refugiarme en el hogar paterno del que sólo salía para ir al Colegio o al cine los domingos con mis padres. ¡Cómo admiraban mis amigos mi afición por la lectura! y....¡cómo envidiaba yo la facilidad que mostraban ellos para conquistar la amistad de las compañeras del colegio! aquellas lindas princesas de calcetines mordidos y trenzas deshilachadas que olían a mantequilla y a tinta escolar por las que yo, en aquellas siestas agosteñas suspiraba con el libro apretado entre mis manos abanicando mis sueños con la brisa de la cercana playa que hacia desfilar a la atardecida una capilla sixtina de nubes por encima de nuestros tejados.

Si, por aquel entonces, Freud me hubiera tumbado en su famoso sofá sicoanalitico el diagnóstico habría salido fulminante con la fuerza de un torpedo: A usted, jovencito, lo que le sucede es que tiene sobrevalorado al otro sexo, y yo no lo habría entendido..claro. Habrán de pasar muchas lluvias y muchas nubes para que, pisando ya los umbrales de la vejez y sumergido en las lecturas de Wilhem Reich se me haga alguna luz en la conciencia sobre el perfil sicologico de aquel niño que fui y del viejo que ahora soy; las investigaciones de este disidente marxista sobre la formacion del caracter neurótico ampliarán mi paisaje interior, despejandolo de las nieblas que hasta entonces lo cubrían y que me llevaba a culpar al Destino (ese chivo expiatorio) de todas las necedades por mí cometidas y que como piedras lanzadas al aire por mí han ido cayendo luego siempre sobre mi estructura sicologica y emocional con una puntualidad y puntería verdaderamente diabólicas.

Era tan necio entonces que siempre le echaba la culpa de mis desgracias a los más absurdos y obtusos pronósticos; a veces caminando hacia el Instituto, con las lecciones mal aprendidas me decía a mí mismo: si el último coche (entonces el trafico era algo más ligerito que el de ahora) que vea antes de entrar a clase, los números de su matricula suman una cantidad par (o impar) no me preguntarán la lección. Y cuando estos juegos de aprendiz de brujo no funcionaban enseguida me buscaba una explicación lógica (lógica dentro de mi estúpida  ilogicidad) que no resquebrajaran los cimientos de mi “religión la carta”. 

En el internado de los salesianos, llegué, no sé por qué retorcidos atajos de mi precaria capacidad intelectiva a la negra convicción de que los miércoles eran los días fatídicos para mi supervivencia entre la plebe estudiantil y si no surgía la desgracia yo obrando como un ser completamente irracional victima de una mente mágico simbólica me buscaba mis propios problemas para, al menos, consolarme en la certeza de mis pronósticos, provocando con mi agresividad y mis malos modos, que todos los dioses del miércoles se me pusieran de espaldas.; mi masoquismo psicológico ya iba apuntando maneras.

De todas mis desgracias encontraba yo siempre un culpable exterior a mi persona, a mi propio YO. Y respecto a mis relaciones con las chicas habrán de pasar muchos años para que ahora, de viejo comprenda perfectamente que los hechos reales se ajustaban bastante bien a ese pronóstico de Freud sobre mi hipervaloración del otro sexo, moviéndome siempre en el puro amor platónico cuando, ya en la adolescencia, mis fluidos más íntimos buscaban  sus cauces naturales de salida, sus medios de expresión que yo había reprimido..la causa de esa represión, como ya he apuntado saldrán a la luz aunque de una forma poco matizada y muy a lo bulto, para entendernos, pues en todos sus perfiles y aristas la sigo ignorando; y todo era (lo sabré ya de viejo) que ya habían comenzado a aparecer los primeros síntomas graves de mi neurosis que, si bien algo aminorada me sigue acompañando y no me dejará sino cuando metido en mi ataúd me despidan en las puertas de la funeraria. 

Yo era un adolescente torpe y soso  incapaz de tocar el vestido de una de aquellas beldades quinceañeras con las que compartía las lecciones de geografía y “mates” en la academia de clases particulares como se llamaban entonces a este complemento formativo que por una modesta mensualidad aportada por nuestro progenitores recibíamos al salir del Instituto. Así fue como y por qué que me refugié en la lectura. Todas las visitas que acudían a casa, al verme sentado en un sillón de la salita entregado a ese feo vicio del que ahora reniego impíamente, cuando me veian leyendo comentaban todas con esa cursilería dulzona  y postdiabetica que iba a ser yo de mayorcito un lumbrera...vamos un enfant terrible de la Ciencia o del Arte....¡pobre de mí! porque yo también me lo creía pero era el caso que esa falsa intelectualidad precoz no se reflejaba en los estudios; mi comportamiento en el Instituto era el de un verdadero holgazán, que por llamar la atención y buscando la solidaridad de los compañeros más díscolos de la clase me mostraba duro y mostrenco a los consejos de los viejos profesores que terminaban aburriéndose de mí y expulsándome del aula de clase.

Mi irresponsabilidad mostrenca, campesina, me inspiró para falsificar las  notas finales del Primero de Bachiller lo que me hizo merecedor de ser internado, como lo fui, en un Colegio de los Padres Salesianos. Y es cierto que la lectura me gusta y me sigue deparando horas placenteras pero no es menos cierto que los orígenes de tal afición fueron los que fueron y al papel no lo puedo engañar. Contemplada desde la atalaya de mis sesenta y cinco años la biografía de aquel niño neurótico que iba de tropezón a susto y de susto a tropezón hasta romperse los dientes (los físicos y los mentales: las paletas delanteras me las rompí en el colegio de los agustinos) ese niño que asoma como asustado de la Vida en las viejas fotos de la lata familiar me produce una indefinible sensación de ternura y fracaso al mismo tiempo, como de una vida quer se ha empleado dando vueltas con la noria a un pozo sin agua.

Y es que siempre le he tenido miedo al fracaso; ese pánico neurotico a no quedar bien, ese terror a que se forme alguna grieta en la máscara que oculta mis miedos, preocupado siempre porque a través de esas vias de agua pudiera asomar el verdadero YO que siempre me he obsesionado de llevar oculto y que lleva años viviendo tras esa muda efigie que yo mismo me he fabricado para intentar engañar a la Vida, ese inmenso trabajo de masoquismo sicologico como la de estar constamengte tapando agujeros en un bote salvavidas que se me viene al fondo, todo ese trabajo de grisaceo y mediocre Sisifo amenazado por la piedra, todo,  me ha impedido disfrutar de las flores del camino o de hermosos atardeceres bajo la sombra fresca de un arbol,  y en cambio me han llevado a pisar siempre la única boñiga fresca de vaca que había en el sendero, sin duda que puesta allí por los dioses para mi desgracia o, como Quevedo a que truene y diluvie cuando me atrevo a salir al Mundo (las pocas veces que me he atrevido) con el cuerpo desaliñado y mi alma infantil a la descubierta.

Jean Valjean



                                                                              
                                                        


viernes, 17 de octubre de 2014

Primera Carta a Antonio













Mio Caro Antonio...Hoy día, el verdadero enemigo del individuo, el monstruo...el leviatán, la serpiente que hay que volver a meter en su cubil si podemos hacerlo algún día (que lo dudo) esa fiera de mil cabezas y millones de ojos, esa ramera salida del infierno de la que habla la Biblia, la última plaga del Apocalipsis que nos fue profetizada (¡y me quedo corto) es.....es...¡Premio! El Estado. 
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Cada día se va fortaleciendo más y más y más....Cuanto más nos protege más nos ahoga...¿Te das cuenta que hoy día se habla de los politicos como -entonces-se hablaba de los curas y de los guardias civiles. ¿Quien cuenta hoy dia chistes de curas y guardias civiles? nadie y no hay censura. Hoy se cuentan chistes de politicos y de sindicalistas. <<¿Saps aquel que entra un sindicalista a un Banco y...>>Ya se habla (¡incluso yo lo he oido en la SER) de la Casta Politica...como la Casta Sacerdotal. Ay caro Antonio ¡Tenemos ojos y no vemos! ¡Tenemos oidos y no escuchamos! El Leviatán, amigo.

 Estamos perdiendo vida privada a chorros, frente a esa monstruosa maquinaria que como a las aves ponedoras de la Granja de Orwell nos protege. ¿En que lugar de la ciudad puedes pasear hoy sin que te enfoque una discreta camara que te está grabando? Prueba a gritar tu DNI en medio de Las Ramblas (o en la Puerta del Sol). No te atreverás a hacerlo. El miedo te atenaza.¿Escuela Pública y Gratuita? gritábamos como tontos....en nuestra efimera juventud trotskista Si señor...una Escuela Pública y única para que el rebaño disfrute de un pensamiento único. Todos adoctrinados por el mismo rasero... ¿Estudiar tus hijos por libre en sus respectivas casas? ¿Que tú, su padre, pretendes educarlos? Vadre Retro te grita el progre de turno creyendo que ha descubierto otro mediterraneo....¿

¿Por que suprimieron los estudios "por libre". ¿Por qué no dejan "ellos" que mi hijo estudie en mi casa y lo eduque yo? Porque a lo mejor lo enseño a pensar de verdad no a simular un pensamiento único y uniforme del cual presuma con lúgubre patetismo. Papá/Mamá Estado cada vez nos protege más y nos vigila más. Nunca mejor dicha esa frase de ¡¡¡El Estado debe invertir en educación!!! Y es exactamente eso: una inversión, cuesta mucho dinero pero al final de la cadena de montaje todos salimos leyendo a Coelho, Almudena Grandes o Saramago (que por otra parte merecen todos mis respetos aunque yo no los lea) . Antonio ¿Te imaginas un pais habitado por cincuenta o sesenta millones de lectores de Kant, Schopenhauer, Goethe? ¿Qué gobierno podria manejar sin sacar la porra a ese pais de intelectuales escepticos y descreidos? 

No señor, hay que invertir en educación y subvencionar y premiar a los autores de libros de marcas blancas, que distraigan al personal pero que no se pongan a pensar por libre. Si el Estado cuida tu salud...o dejas de fumar o....te aplicamos la eutanasia antes de ocupar una plaza hospitalaria....Yo viajo mucho por Europa y cada vez me encuentro con más mendigos de vocación. Son hombres y mujeres que no soportan este "Estado de Bienestar/GranjaOrwell" y viven y duermen junto a un perro en las puertas de los Super...No se les ve depresivos...Son personas que se han salido de la Granja.... Caro Antonio....lo de la Iglesia es una broma comparado con lo que te vengo contando...Analiza nuestra sociedad y verás como al final del cable....en la cabina de los enchufes está Leviatán...el Estado que mientras nos llena la barriga de proteínas y grasas nos vacía el cerebro y lo llena de basura. 

Y el poder del Estado sobre el individuo es más potente por ser subliminal. Nos la meten con el turroncito de azucar, como hacian con la vacuna de la polio...Nos tratan como niños.....y es que resulta tan confortable ser niño....¿Quien quiere ser libre, con un papá/estado tan pendiente de como hacemos la caquita todos los días? Muera la libertad, Viva el tardo-panzismo...Y es que...ahi fuera...hace tanto frio....Ya he entrado en la vejez (el otro dia me senté sobre mis gafas) y la vejez es cobarde, pero de tener treinta años menos, me iría de la Granja...por Tutatis.....Dia llegará que hasta cerrarán la puerta...justamente cuando descubran que esas gallinas de culos gaseosos tienen en la cabeza alguna idea lucida y se les están formando unas proteinas que aparentan tener la forma de un interrogante (?) De todos es sabido que la interrogacion es el gancho de donde colgamos a las ideas para que maduren.


Jean Valjean